sexta-feira, março 19, 2004
quarta-feira, novembro 26, 2003
As periferias nórdicas
[Grønland og Åland]
A Groenlândia, diz-se, recebeu o seu nome (Terra Verde) cerca de 1200, numa altura em que não era toda branca, e o clima permitia alguma agricultura. A mini-Idade do Gelo que atingiu o hemisfério norte cerca de 1400 exterminou as poucas aldeias com populações escandinavas que por lá havia. Os Inuit (não lhe chamem esquimós que eles não gostam) parecem no entanto não se ter queixado.
Quanto ao arquipélago de Åland, é a única província finlandesa exclusivamente de língua sueca, e que no final da Primeira Guerra votou para ser desanexada da Finlândia e anexada à Suécia. Os finlandeses não gostaram particularmente da ideia (principalmente os de língua sueca, a quem desagrava a ideia de ser ainda mais minoria do que já eram), pelo que, num compromisso martelado pela Liga das Nações, o arquipélago recebeu ampla autonomia, inclusive fiscal, o que permite aos viajantes dos ferries entre Estocolmo e Åbo (a cidade finlandesa de importância mais perto de Estocolmo) pararem no arquipélago para se embebedarem a preços módicos.
No entanto, o fim da União Soviética significou para muitos finlandeses a hipótese de se embebedarem a preços muito mais competitivos em Tallinn, na Estónia (o nome da cidade significa "castelo dinamarquês", o que é natural, pois fica perto do sítio onde a Dannebrog caiu do céu).
Etiquetas: finland
Falando em içar irmãs no mastro da bandeira (uma referência óbvia ao Emil de Lönneberga, que se envolvia igualmente noutras actividades pouco recomendáveis), ainda não falei de bandeiras. Um momento didáctico dos dias de outrora quando a RTP se dava ao trabalho de passar séries infantis suecos é exactamente quando o Emil iça a sua irmã mais nova, a Ida, para ela poder ter uma vista panoramica da região. Estando a Ida vestida de vermelho e branco, a vizinha, que é miope, pergunta ao pai do Emil porque é que ele içou a Dannebrog - dando escasso tempo ao Emil para se esconder no armazém da madeira. E foi assim que eu aprendi o que é a Dannebrog.
A origem lendária da Dannebrog - a bandeira dinamarquesa - a mãe de todas as bandeiras escandinavas, com a sua cruz atípica, pode ser vista neste quadro, em que ela cai do céu quando o rei dinamarquês Valdemar o Vitorioso estava em 1219 a pregar o cristianismo -pelo método habitual de massacrar os pagãos- no que é actualmente a Estónia.
Os suecos, não querendo pecar pela originalidade, usaram o mesmo modelo, mas com as cores das suas armas nacionais: as três coroas sobre fundo azul-claro.
Já a Noruega adoptou em 1814 - aquando da indepêndencia da Dinamarca - a Dannebrog nas suas cores originais, mas com as armas nacionais (um leão segurando um machado) no campo superior esquerdo; posteriormente, foi adoptada a cruz central azul.
A Finlândia, então um grão-ducado onde o grão-duque, por mera coincidência, era também Czar de todas as Rússias, adoptou, igualmente por mera coincidência uma cruz escandinava azul sobre fundo branco.
Acima, podem-se ver, da esquerda para a direita, a Dannebrog e as bandeiras da Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, ilhas Féroé, Åland (uma província finlandesa, da qual ainda havemos de falar), Groenlândia e Lapónia.
quinta-feira, outubro 30, 2003
Parlamentos nórdicos
[Nordiske parlamenter]
Momento cultural:

Na fotografia, pode se ver o parlamento da Noruega, que se chama Stortinget (a Grande Assembleia).
O parlamento da Dinamarca chama-se Folketing (a Assembleia do Povo); o da Suécia Riksdag (o Conselho do Estado); o da Finlândia, Eduskunta (não esquecendo que a Finlândia é bilingue, esta palavra não é senão uma tradução de Riksdag); o das Ilhas Faroé, Løgtingið (a Assembleia Legislativa), e o da Islândia, Alþíng (a Assembleia Geral) - em memória dos tempos após a colonização inicial da Islândia, quando todos os homens adultos da ilha podiam participar na assembleia legislativa anual.
Mas, tendo em conta que a Islândia foi originalmente colonizada por noruegueses particularmente anarquistas no século IX, consta que as primeiras reuniões apresentavam algumas semelhanças com as assembleias gerais do Benfica do tempo de um tipo que eu não conheço de lado nenhum e que nunca me foi apresentado. De qualquer modo, essa predisposição à anarquia dos primeiros islandeses produziu o primeiro parlamento "democrático" do mundo, e um conjunto de leis que, levando em conta a alta taxa de homicídios, continha disposições especiais para o caso do homicida ter menos de oito anos.
Um milénio mais tarde, apenas 63 pessoas entre os cerca de 300.000 habitantes participam no Alþíng; por outro lado, o número de homicídios decresceu ao ponto de ter havido menos de uma dezena nos últimos cem anos - pelo o país por vezes ainda discute um certo homicídio ocorrido no século XIX.
