blog em português, dedicado a assuntos nórdicos
blog om Norden på portugisisk

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ouro ou talvez não
Gull eller kanskje ikke

Uma catástrofe parece ter atingido a Noruega. Após 12 dias de provas olímpicas, a Noruega conquistou duas míseras medalhas de ouro. Pior do que isso, a Suécia já vai em 4! O Aftenposten, que pedia 14 medalhas (mais uma do que em Salt Lake City há quatro anos) teve que engolir as suas palavras, e os tablóides dos doces irmãos[*] estão-se a divertir imenso.

Claro que, mesmo assim, a Noruega tem mais duas medalhas douradas que Portugal, pois o singelo e ignorado representante português ficou em 94º na corrida dos 15km em esqui, atrás dos concorrentes do Quénia e da Etiópia.

[*] diz-se söta bror, em sueco, por analogia aos nuestros hermanos. Como todos sabem, especialmente a minha irmã, os irmãos não se escolhem.

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terça-feira, junho 07, 2005



Hoje é o centenário do "divórcio de veludo" original. Há cem anos, o Storting despediu o senhor Óscar Bernardotte do seu part-time como rei da Noruega, rompendo assim a quase secular união entre a Noruega e a Suécia. Hoje não é, ao contrário do que se ouve por aí, o centenário da independência da Noruega, que era para todos os efeitos um reino independente que apenas mantinha em comum com a Suécia o rei e o serviço diplomático (que aliás foi o pretexto para o rompimento da união). Mas é ainda assim um dia marcante na história do país, pois foi o dia em que a salada de arenque (ver o canto superior esquerdo acima) saiu da bandeira.

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quinta-feira, julho 08, 2004

A Noruega da história
Historiens Norge

Quando regressei das terras gélidas há dois meses, comprei um livrito no aeroporto intitulado "Norges historie", do humorista Yngve Skomsvoll (o que me decidiu a comprar o livro foi uma nota na capa dizendo "incluindo 1030, 1814, 1945 e muitos outros anos"). Peço perdão pela violação do copyright, mas aqui está a tradução de um dos apêndices.

A história da Noruega de trás para a frente:

A história da Noruega de trás para a frente é a história de um país que era muito rico, até o petróleo desaparecer nos anos 60, e o país ser arrasado sob a liderança de Einar Gerhardsen, a família real ter deixado o país, e os alemães terem vindo pacificamente para a Noruega, onde tomaram armas e governaram o país como uma ditadura até partiram sob combates um tanto ou quanto intensos cinco anos mais tarde. Nos anos entre as guerras quase cem mil pessoas obtiveram subitamente emprego, e tudo foi melhorando progressivamente até à guerra mundial seguinte. Em 1905 o Parlamento decidiu entrar numa união com a Suécia, até cem anos mais tarde abolir a sua própria constituição e a Dinamarca roubar a Noruega aos suecos. Durante esse período, centenas de milhares de noruegueses vieram da América sem que ninguém entendesse donde vinham, Quatrocentos anos mais tarde, o rei da Dinamarca declarou que não mais queria governar a Noruega, e a Noruega viveu o seu primeiro tempo de grandeza desde o fim do petróleo c. 1960. Pouco depois a Noruega caiu em guerra civil, e o país foi dividido em inúmeros pequenos reinos. Os viquingues começaram a velejar para terras longínquas, onde ofereciam ouro e mercadorias aos monges e comerciantes. A América encontrou Leiv Eiriksson, e o tempo dos viquingues terminou quando eles foram levar uma data de coisas giras ao mosteiro de Lindisfarne em Inglaterra em 793. Pouco depois os noruegueses esqueceram como preparar o ferro, e tiveram que se safar só com bronze. Depois perderam também o conhecimento da preparação do bronze, e subitamente as únicas ferramentas que dispunham era de pedra, osso, corno e madeira. As únicas casas que tinham eram cavernas. Passavam os dias exclusivamente a caçar, sentados a volta de fogueiras, a limpar gravuras das pedras [as barragens polémicas não são um exclusivo português – N.T.], e a ter relações sexuais na caverna ou ao ar livre. Os noruegueses nunca tinham sido tão felizes, por isso continuaram assim durante cerca de 8000 anos, até todos os noruegueses terem morrido, excepto uma família, que parece ter achado que começava a ficar muito frio e por isso deixou a Noruega para buscar a sua sorte na Alemanha. Pouco depois a última rena também abandonou o país, que ficou coberto de uma camada de gelo de várias centenas de metros que achatou a terra debaixo de si. E assim ficou a Noruega congelada durante muitos, muitos milénios.

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segunda-feira, abril 19, 2004

Este fim-de-semana foi o baptismo da Ingrid Alexandra, eventual herdeira do trono norueguês. A jovem Ingrid (três mesitos) reagiu naturalmente, e chorou desalmadamente durante toda a cerimónia, com a qual a televisão local saturou os espectadores durante três horas.

Eu, como bom republicano, não liguei nenhuma, e tenho a vaga impressão que o resto do país fez o mesmo, excepto para comentar o chapéu da Mette-Marit (há imensas revistas que podem explicar a história comovente da Mette-Marit) e a Victoria da Suécia, madrinha de baptizado, herdeira do trono sueco, e a jovem solteira mais pretendida de toda a Escandinávia- e ao que parece, também da Alemanha, que não tendo família real, tem que encher as revistas especializadas com alguma coisa - e quem melhor que a única mulher numa linha de sucessão a um trono europeu?

A princesa também tem um monograma, desenhado pela rainha Margarida da Dinamarca (prima em não sei que grau), que deve ser a única cabeça coroada que conheço que não teria problemas em ganhar a vida se o seu país se tornasse uma república.

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terça-feira, março 30, 2004

Filmes pascais
[Påskefilmer]

Agora que a Páscoa aproxima-se, e o filme do Mel Gibson já ante-estreou, é tempo de lembrar outro filme típico da época: «A Vida de Brian», dos Monty Python.
Pois esse filme foi alegadamente banido aquando da sua estreia na Noruega, por blasfémia. Embora isto não seja estritamente verdade - o que aconteceu foi que nenhum distribuidor quis distribuir o filme, por temer que fosse banido (certas áreas da Noruega são um pouco fundamentalistas) - a verdade é que parecem ter sido impostas algumas condições para o filme ser apresentado, nomeadamente que certas partes não fossem legendadas. A lógica parece ter sido - quem for ficar ofendido com isto, também não deve perceber inglês.
Os suecos é que não perderam a oportunidade de divulgar o filme como sendo "um filme tão engraçado que foi proibido na Noruega", e parece ter havido excursões trans-fronteiriças até à Suécia para ver o filme.

Outro mito algo semelhante é o de que o Pato Donald foi proibido na Finlândia por não usar calças. É falso, o pato é extremamente popular no Norte, especialmente entre os suecos, que lhe chamam Kalle Anka. Já aqui na Noruega, o Pateta é conhecido como Langbein, que quer dizer Pernalonga. Já o Pernalonga, como alguns de nós que já cá andam a mais tempo chamavam ao Bugs Bunny, é conhecido como Snurre Sprett.

E pronto, já tivemos o momento cultural do dia.

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terça-feira, março 23, 2004

Agora reparei que em quase seis meses que leva este blogue, nunca tentei explicar a políticia norueguesa. O que não é de admirar, porque às vezes nem os noruegueses a entendem muito bem...

Antes de descrever os partidos, algumas palavras sobre o sistema político em geral.

A Noruega é regida por uma constituição aprovada a 17 de maio de 1817, embora naturalmente com imensas emendas (por exemplo, já foi removida há muito tempo a proibição de residência no país a judeus e jesuítas que estava logo no artigo 2), e que é a segunda mais antiga do mundo ainda em vigor, a seguir à dos Estados Unidos. Assim sendo, ambas tem algumas características que se podem considerar velhas relíquias, como o Colégio Eleitoral nas eleições presidenciais do EUA, ou, no caso norueguês, o extenso poder atribuído ao rei (puramente teórico, uma vez que ele nunca o usa) - ao contrário da Suécia, onde o rei não faz nada além de entregar os Nobel, receber os embaixadores e figura de parvo de vez em quando. Por exemplo, não é possível convocar eleições antecipadas - a legislatura tem que cumprir os quatro anos - uma vez que na altura em que foi aprovada não havia partidos, e era o rei que decidia quem é que primeiro-ministriava, pelo que eleições antecipadas eram completamente desnecessárias.

O poder executivo, como em todas as monarquias democráticas (excluí-se a Arábia Saudita, a Coreia do Norte, e outras) está não no rei, claro, mas sim no governo e no primeiro-ministro, actualmente o nosso amigo Bondevik.

O Parlamento, como já disse noutra altura, chama-se Storting, a Grande Assembleia, que é eleito por quatro anos, e que é bastante mais fracionado que o nosso - nenhum dos oito partidos tem sequer um terço dos deputados, o que obriga a governos de coligação, e a extensas negociações pós-eleitorais. Uma característica curiosa é que, por tradição, os deputados não se sentam por partidos, mas sim por região (isto é, os deputados de Oslo numa ponta e os do Norte do país na outra). São eleitos 169 deputados, mas depois complica: um quarto deles forma a Câmara Alta, os outros três quartos a Câmara Baixa, e as leis devem ser aprovadas por ambas as câmaras. Para que é que isto serve, nunca descobri bem. Ainda outra curiosidade: o número de deputados por região está hard-coded na Constituição, pelo que não muda com a população (e já aconteceu regiões com menos habitantes terem mais deputados). Não há deputados pela imigração.

A Noruega é regionalizada - existem 19 fylker, ou condados. O munícipio de Oslo é o seu próprio condado, e está completamente cercado pelo condado de Akerhus. O sistema lá vai funcionando, e felizmente não se conhecem casos de albertojoãojardinismo no país. Abaixo, existem 435 municípios (que ao contrário dos nossos não são sagrados - vão-se dividindo e unindo conforme os movimentos populacionais), com extensos poderes.

No próximo episódio, os partidos.

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sexta-feira, fevereiro 13, 2004

O meu silêncio deve ser principalmente devido ao factor Octávio Malvado (muito trabalho, muito trabalho), e o facto de nada de importante se andar a passar (bom, há umas provitas de biatlo, e pessoal a saltar do Holmenkollen, e esperemos que não a se estatelar vigorosamente no chão); há uns comentários quaisquer de um senhora que vive no Brasil há muitos anos e é qualquer coisa ao rei (irmã ou coisa parecida).
Mas, depois de os nossos doces vizinhos se terem rido com a gaffe principesca que levou o regente do reino a referir-se a Portugal como um país mediterraneo, o rei da Suécia, que é casado com uma brasileira mas não é exactamente famoso pela sua mente brilhante, em viagem ao Brunei (aquele sítio onde o sultão é tão rico que as cavalariças do palácio tem ar condicionado) louvou o ditador local, a «sociedade aberta» do país (onde os opositores políticos são despachados para os colabouços, os partidos e sindicatos proibidos, etc, etc), e outras parvoíces semelhantes.


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quinta-feira, dezembro 04, 2003

Reis e rainhas nórdicos II
[Nordiske konger og dronninger II]

Segundo episódio da série dedicada às cabeças coroadas das terras gélidas.

No meio da confusão gerada pelas guerras napoleónicas, a Dinamarca aliou-se à França alegadamente por não ter apreciado o serviço da marinha inglesa violando-lhe a neutralidade, destruindo-lhe a frota e bombardeando Copenhaga. Foi uma má escolha, e isso levou à perda da Noruega. O Príncipe herdeiro, Cristiano Frederico (devem-se lembrar que os reis da Dinamarca chamam-se alternadamente Cristiano e Frederico - e se não sabem que actualmente é uma rainha, estais mesmo mal informados), o príncipe herdeiro, dizia eu, autoproclama-se rei da Noruega. Foi aceite pelo Parlamento (ou seja, meia dúzia de burgueses que se autoproclamaram representantes da nação), mas reinou durante escassos meses, pois o seu reinado foi perturbado por outra personagem histórica.

Carlos III João (XIV para os suecos), filho de um modesto advogado de Pau (no sul de França), seguiu a carreira militar, e aproveitando as oportunidades da época napoleónica, chegou a marechal do dito Napoleão. Aos 47 anos, foi adoptado pelo rei da Suécia, e tornando-se num caso de imigrante de primeira geração com sucesso, chega a chefe de estado sem sequer saber falar a língua do dito estado. Convence convincentemente os noruegueses que é melhor deixarem-lhe acumular o cargo com o de rei da Noruega, pois sempre era melhor deixá-lo ser rei do que levar no corpo e ainda assim tê-lo como rei.

Haakon VII customava-se chamar Cristiano antes de ser eleito plebescitariamente rei da Noruega em 1905, porque os noruegueses estavam fartos de ter um rei estrangeiro a tempo parcial. Por isso trocaram-no por outro rei estrangeiro, mas a tempo inteiro. Por isso, Cristiano trocou de nome, aprendeu a esquiar, e tornou-se símbolo da resistência quando os malvados porcos nazis invadiram o país em 1940.

O seu filho Olavo V, que se chamava Alexandre quando nasceu, veio para estas terras gélidas com dois anos, e sucedeu ao pai em 1957. Viria a tornar-se imensamente popular porque uma vez andou de eléctrico. Alegadamente, um postal muito popular há uns anos mostrava-o a fazer festas a um gatinho, sob o olhar do chefe de estado estrangeiro que por acaso visitava o país. Um tal Ramalho Eanes.
Quanto ao seu neto, Harald V, reside actualmente no Palácio Real (embora neste momento esteja internado no Hospital Nacional do outro lado da rua, pois vai ser operado na segunda: desejos sinceros de rápida recuparação deste republicano inveterado).

Algumas palavras sobre monarcas das outras terras gélidas, que não reinaram nestas:

Cristina da Suécia, a única rainha da história do país. Filha do grande campeão do protestantismo, Gustavo Vasa (cargo que acumulava com o de ministro da defesa), caído em batalha contra os malvados protestantes. Provando que quem sai aos seus não degenera é uma grande treta, converteu-se ao catolicismo e renunciou ao trono. Embora o filme com a Greta Garbo indique que o motivo terá sido uma paixão pelo embaixador espanhol, isso é pouco provável, levando em conta os rumores acerca das preferencias sexuais da majestade. Daí ser bastante famosa, como exemplo de pergunta traiçoeira, "com quem se casou a rainha Cristina da Suécia". Resposta: com ninguém.

Carlos XII já foi referido noutro artigo, como exemplo de rei (cargo que acumulava com o de ministro da defesa) traiçoramente tombado no campo de batalha.

Urho Kekkonen, embora não fosse rei, parecia-o, tendo exercido o cargo de Presidente da República Finlandesa durante 25 anos, com recurso a intriga da mais alta qualidade, conseguindo inclusivé que a União Soviética o apoiasse - por vezes de maneira pouca discreta- apesar de ser o protótipo de político burguês que seria dos primeiros contra a parede quando a revolução chegasse. A Finlândia era à época conhecida informalmente como Kekkoslovakia, o que leva mais a supor que Kekonnen seria mais o sobrevivente que Estaline customava deixar para mostrar que, como dizia a camarada Odete, não era tão mau tipo quanto isso.

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quarta-feira, dezembro 03, 2003

Reis e rainhas nórdicos
[Nordiske konger og dronninger]

Aparentemente, o Haakon Magnus, que é filho do rei ou coisa parecida, não vai poder gozar o mês de licença de paternidade habitual quando o seu primeiro rebento nascer em Janeiro, pois estará muito ocupado a ser regente devido à doença do senhor Haraldo.
Não vou entrar em pormenores sobre a família real, pois há inúmeras revistas em Portugal que farão o serviço melhor que eu. Aproveito no entanto a oportunidade para falar de alguns reis notáveis da história das terras gélidas.

Ao contrário dos reis medievais portugueses que tinham cognomes como «Conquistador» ou «Povoador», os reis da Noruega na idade dourada dos viquingues tinham nomes mais apelativos - tais como o Harald Hårfagre (da bela cabeleira, por ter segundo a lenda prometido não a cortar enquanto não fosse o único rei da Noruega, e cuja rua é ao lado da minha), o seu filho Erik Blodøks (machado sangrento, sem explicações necessárias), Harald Blåtann (dente azul) ou Svein Tjugeskjegg (barba bifurcada). Falar de rei da Noruega é no entanto um pouco anacrónico pois o paí­s estava dividido e vários reininhos, o que dava um significado algo violento à cultura de campanário.

Olav II Haraldsson (995-1030), Santo Olavo, patrono da Noruega foi canonizado pela Igreja Católica pelos seus serviços à fé cristã, nomeadamente massacrando de maneira um pouco sanguinária os pagãos. A sua popularidade póstuma parece estar às avessas com a impopularidade em vida, tendo tombado em batalha (eram os tempos em que os chefes de estado e os seus ministros da defesa também morriam nas guerras que organizavam).

Harald III (1015-1066) participou nessa batalha, escapuliu das terras gélidas para salvar a sua pele, lutando ao serviço do Império Bizantino no que é agora a Bulgária (cujas praias do Mar Negro são mais quentinhas), para mais tarde regressar, derrotar os seus oponentes, tentar a conquista de Inglaterra, e ser, como o Manchester United, derrotado em Stamford Bridge, numa batalha que lhe custou a vida.

Através de algum processo sucessório que nem eu compreendo muito bem, o trono da Noruega seguiu para mãos dinamarquesas, Margarida I (1353-1412), rainha da Dinamarca, da Suécia e da Noruega, provou no seu tempo que uma mulher conseguia ser uma intriguista tão boa como qualquer homem, conseguindo manobrar a união os três reinos durante o seu reinado sob a sua autoridade. A incompetência de Cristiano II levou à perda da Suécia, mas a Noruega ficaria unida à Dinamarca durante mais de 500 anos.

Dos reis da Dinarmarca que também o foram da Noruega (e cujo nome alternava entre Frederico e Cristiano), a personagem mais marcante foi talvez Cristiano IV, o tal que achou que Oslo não soava bem e que Cristiânia era melhor para o turismo. O rei era, ao contrário da maioria da sua dinastia, visita assí­duas nas terras ainda mais gélidas.

No próximo programa, vamos falar sobre outros monarcas marcantes destas terras gélidas.

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segunda-feira, dezembro 01, 2003

E claro, na frente desportiva, a grande notícia é que a Suécia e a Dinamarca calharam no mesmo grupo. Os noruegueses vão provavelmente torcer pelas outras duas equipas do grupo.

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quarta-feira, novembro 26, 2003

Falando em içar irmãs no mastro da bandeira (uma referência óbvia ao Emil de Lönneberga, que se envolvia igualmente noutras actividades pouco recomendáveis), ainda não falei de bandeiras. Um momento didáctico dos dias de outrora quando a RTP se dava ao trabalho de passar séries infantis suecos é exactamente quando o Emil iça a sua irmã mais nova, a Ida, para ela poder ter uma vista panoramica da região. Estando a Ida vestida de vermelho e branco, a vizinha, que é miope, pergunta ao pai do Emil porque é que ele içou a Dannebrog - dando escasso tempo ao Emil para se esconder no armazém da madeira. E foi assim que eu aprendi o que é a Dannebrog.
A origem lendária da Dannebrog - a bandeira dinamarquesa - a mãe de todas as bandeiras escandinavas, com a sua cruz atípica, pode ser vista neste quadro, em que ela cai do céu quando o rei dinamarquês Valdemar o Vitorioso estava em 1219 a pregar o cristianismo -pelo método habitual de massacrar os pagãos- no que é actualmente a Estónia.
Os suecos, não querendo pecar pela originalidade, usaram o mesmo modelo, mas com as cores das suas armas nacionais: as três coroas sobre fundo azul-claro.
Já a Noruega adoptou em 1814 - aquando da indepêndencia da Dinamarca - a Dannebrog nas suas cores originais, mas com as armas nacionais (um leão segurando um machado) no campo superior esquerdo; posteriormente, foi adoptada a cruz central azul.
A Finlândia, então um grão-ducado onde o grão-duque, por mera coincidência, era também Czar de todas as Rússias, adoptou, igualmente por mera coincidência uma cruz escandinava azul sobre fundo branco.

Acima, podem-se ver, da esquerda para a direita, a Dannebrog e as bandeiras da Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, ilhas Féroé, Åland (uma província finlandesa, da qual ainda havemos de falar), Groenlândia e Lapónia.

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quarta-feira, novembro 19, 2003

Previsivelmente, a selecção nacional norueguesa foi merecidamente massacrada perante um estádio do Ulevaal cheio, pelo menos até os espanhois marcarem o segundo golo, quando começou a esvaziar. Mas vergonha não é perder, é jogar mal como eles jogaram.

Sendo assim, as cores nórdicas no próximo europeu serão defendidas apenas pela Suécia e pela Dinamarca.

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sexta-feira, novembro 14, 2003

Tal como os viquingues desceram sobre a Península Ibérica em 882, amanhã um bravo destacamento dos seus descendentes travará uma violenta batalha em Valência, numa tentativa desesperada de baixar os lucros com que Portugal conta no Euro'2004, fazendo a selecção espanhola e os seus milhões de adeptos ficar em casa. Mas como milhões de noruegueses irão a Portugal despender as suas coroas no caso da Noruega se qualificar, aconselho a compra de acções de empresas que produzam bebidas alcoólicos.

A Noruega é um país algo paradoxal no que diz respeito ao consumo de alcool. As bebidas, todas, são caríssimas em qualquer restaurante ou semelhante, com uma cola a custar €3.5 euros, e uma cerveja cerca de €6. Uma garrafa de vinho banal para acompanhar a refeição custa facilmente €25. E, tal como na Suécia e na Finlândia, bebidas com um teor superior a poucos por cento são exclusivamente vendidas em lojas do estado, chamadas apropriadamente Vinmonopolet (para encontrar uma, é só ver aonde há uma fila enorme de gente numa sexta ao fim da tarde).

Consequências: inúmera gente aproveita a sexta à noite para se embebedar; e sendo a polícia aqui tremendamente rigorosa no que diz respeito ao "se conduzir, não beba; se beber, arrisque-se a ficar sem conduzir até 2023", é também o melhor dia de negócio para os taxistas cá da praça. Outros, mais práticos, embarcam no barco para Copenhaga e embebedam-se a bordo duty-free - as bebidas alcoólicas são de venda livre na Dinamarca, o que explica os milhões de suecos e alces bebados que por vezes lá se encontram. E há inclusive barcos que se limitam a sair das águas territoriais o tempo necessário para os passageiros se emborracharem, e depois regressam ao porto.

Uma excepção à regra são, alegadamente, os eleitores do KrF (o partido cristão-democrata, não confundir com o patético PP e o canalha do seu líder), incluindo o nosso amigo Bondevik, que são todos abstémios. Há aliás uma história que a ministra responsável pelo Vinmonopolet nos anos 70, Bergfrid Fjose, introduziu uns sacos cor-de-rosa para os clientes, de modo a que quem andasse com tais sacos na rua fosse automaticamente denunciado como cliente.

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domingo, novembro 09, 2003

Um dos programas mais fascinantes do Herman (Lindqvist) versou sobre a morte violenta mais famosa das história dos países nórdicos: a do rei da Suécia Karl XII, ainda discutida apesar ter acontecido há mais de trezentos anos.

Numa época em que os reis se mantinham prudentemente longe do campo de batalha, Carlos XII era o prótotipo do rei que não tinha medo de sujar as mãos numa boa refrega, envolvendo o seu país em guerras contínuas durante o seu reinado, e sendo espectacularmente derrotado por Pedro o Grande na famossísima batalha de Poltava, na Ucrânia, que marcou o ínicio a ascenção inexorável da Rússia como potência continental.
Não contente com isso e com a perda do estuário do rio Neva, onde mais tarde seria fundada São Petersburgo [cidade honoriamente pertencente às terras gélidas do Norte], Carlos XII regressou da Turquia, para onde tinha escapulido após Poltava, para imediatamente envolver a Suécia numa guerra contra a Dinamarca, reino do qual a Noruega fazia à época parte. Durante o cerco da fortaleza norueguesa em Fredrikshald (actualmente Halden), Carlos XII cai atingido por uma bala - mas teria sido o rei atingido por um soldado norueguês com uma espectacular pontaria, que num brilhante golpe de sorte abateu o comandante supremo do exército inimigo? Ou mais prosaicamente teria um soldado sueco que estava farto de andar metido em confrontos violentos e queria simplesmente ir para casa ter com a família espetado uma bala nas costas do rei?

Trezentos anos depois, a dúvida persiste...

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quarta-feira, novembro 05, 2003

Segundo o Dagbladet de ontem, uma comuna (leia-se município) fronteiriça sueca vai oferecer transporte gratuito a todos os osloetas que o desejem no próximo sábado até ao centro comercial a estrear de fresco, onde poderão gastar as suas mocas durante algumas horas antes de regressar à terra com os sacos cheios e os bolsos vazios.

E o que compram os noruegueses na Suécia, perguntais vós? Acima de tudo, comida com um razoável desconto. Basta passar a ponte de Svinesund para se encontrar supermercados (que publicam regularmente anúncios na imprensa norueguesa) onde um quilo de carne pode custar metade do preço, e onde a clientela é esmagadoramente norueguesa.

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segunda-feira, novembro 03, 2003

Ainda mais um comentário: as cidades de Kristiansand e Kristiansund representam um desafio para o não-norueguês médio, que tem uma desagradável tendência para as confundir.

Por exemplo, há uns anos, um divisão de para-quedistas italianos que vinha participar nuns exercícios militares teve exactamente esse problema, tendo surpreendido muita gente em Kristianstad quando lá desembarcaram. Kristianstad, para quem não saiba, é na Suécia.

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quinta-feira, outubro 30, 2003

Parlamentos nórdicos
[Nordiske parlamenter]

Momento cultural:

Na fotografia, pode se ver o parlamento da Noruega, que se chama Stortinget (a Grande Assembleia).
O parlamento da Dinamarca chama-se Folketing (a Assembleia do Povo); o da Suécia Riksdag (o Conselho do Estado); o da Finlândia, Eduskunta (não esquecendo que a Finlândia é bilingue, esta palavra não é senão uma tradução de Riksdag); o das Ilhas Faroé, Løgtingið (a Assembleia Legislativa), e o da Islândia, Alþíng (a Assembleia Geral) - em memória dos tempos após a colonização inicial da Islândia, quando todos os homens adultos da ilha podiam participar na assembleia legislativa anual.
Mas, tendo em conta que a Islândia foi originalmente colonizada por noruegueses particularmente anarquistas no século IX, consta que as primeiras reuniões apresentavam algumas semelhanças com as assembleias gerais do Benfica do tempo de um tipo que eu não conheço de lado nenhum e que nunca me foi apresentado. De qualquer modo, essa predisposição à anarquia dos primeiros islandeses produziu o primeiro parlamento "democrático" do mundo, e um conjunto de leis que, levando em conta a alta taxa de homicídios, continha disposições especiais para o caso do homicida ter menos de oito anos.
Um milénio mais tarde, apenas 63 pessoas entre os cerca de 300.000 habitantes participam no Alþíng; por outro lado, o número de homicídios decresceu ao ponto de ter havido menos de uma dezena nos últimos cem anos - pelo o país por vezes ainda discute um certo homicídio ocorrido no século XIX.

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