blog em português, dedicado a assuntos nórdicos
blog om Norden på portugisisk

quarta-feira, novembro 24, 2004

Apelidos
Etternavn

Hoje ando muito activo.

Durante este breve fim-de-semana alargado, passei por uma pequena aldeola chamada Bondevik, de onde é originária a família do primeiro cá do sítio. Isto porque há dois grandes tipos de apelidos noruegueses - aqueles que indicam a quinta de onde era originária a família, e aqueles que indicam que A é filho de B (ou, para ser mais exacto, trineto de B). Esses apelidos, que equivalem aos nossos Gonçalves (=filho de Gonçalo), Henriques (=filho do Henrique) e quejandos, são facilmente identificáveis pelo sufixo -son (ou, sob influência dinamarquesa, -sen), como, por exemplo, Pålsson. Esses apelidos só foram adoptados geralmente no século XIX, o que teve o efeito estranho de as mulheres receberem apelidos que significam filho de, em vez de filha de, como era costume desde tempos imemoriais (por exemplo, uma das obras mais famosas de Sigrid Undset chama-se Kristin Lavransdatter, o que indica que a Cristina era filha do Lavrão). Ou seja, era habitual usar o que se chama patronímicos, apelidos baseados no nome do pai.

A tradição dos pratonímicos persiste na Islândia, cuja filha mais famosa se chama Björk Guðmundsdóttir- ou seja, o pai dela chama-se Guðmund. Uma das consequências curiosas é que numa família nuclear islandesa pai, mãe, filho e filha costumam ter quatro apelidos diferentes.

Assim fala o vosso Páll Jósefsson.

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quarta-feira, novembro 17, 2004

Os países nórdicos orgulham-se, merecidamente, de estarem na vanguarda na igualdade entre homens e mulheres. Afinal, as finlandesas foram as primeiras europeias a ter o direito de voto, Gro Harlem Brundtland dominou a política norueguesa por mais de uma década, à frente de um governo que incluia mais mulheres que homens, e o nome de Vigdís Finnbogadóttir ficou famoso quando ela se tornou a primeira chefe de estado eleita do mundo. Claro que não suficientemente famoso para a maior parte dos leitores deste blogue saberem que ela foi eleita presidente da Islândia por quatro vezes.

Por isso não surpreende que o Rosenborg tenha sido merecidamente condenado por violar a Lei da Igualdade. O motivo: vedaram a uma jornalista o acesso ao balneário. Não teria havido problema se a entrada tivesse sido vedada a todos os jornalistas, mas, a partir do momento em que se permitiu a entrada de alguns jornalistas, a todos deveria ser permitida. E o Rosenborg, descriminando contra as mulheres, violou a lei.

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terça-feira, julho 13, 2004

E perguntam-me o que sei sobre isto.

Em primeiro lugar, a comunidade portuguesa na Noruega é pequena (cerca de 700 pessoas, incluindo os filhos de casamentos mistos); há uma camada mais antiga, dos anos 70, quase exclusivamente de homens que preferiram andar pelas terras gélidas desarmados do que andar nas terras bastantes tórridas dos trópicos armados. Boa parte dessa camada é na realidade cabo-verdiana, muitos dos quais vieram como tripulantes da marinha mercante norueguesa (bastante grande em relação à dimensão do país). Um dos portugueses mais antigos da Noruega diz-me inclusive que por volta de 1970, havia cerca de 150 cidadãos portugueses na Noruega, dos quais uns 120 eram cabo-verdianos.

Por motivos compreensíveis (a distância e a pouca atracção do clima), a Noruega nunca foi um grande destino de emigração lusa, e muitos dos portugueses (e portuguesas) - especialmente a camada pós-25-de-Abril - que se podem encontrar na Noruega estão lá por razões familiares. Alías, por vezes eu tinha a impressão que eu era o único português no país que não era casado localmente.

Dito isto, provavelmente sempre houve portugueses nas terras gélidas desde tempos imemoriais (e, mais raramente, portuguesas - talvez o português mais antigo na Noruega seja uma simpática senhora de Lamego, na Noruega desde 1950). Por exemplo, sabiam que uma das filhas de D. Sancho I foi rainha da Dinamarca?

Sendo a Noruega um país de tradição pesqueira (o ser humano tem que comer, e tentem plantar trigo ou levar as vacas a pastar com os campos debaixo de dois metros de neve), e sendo durante séculos a pesca uma actividade perigosa e por vezes fatal, sempre houve um excesso de mulheres na costa ocidental do país, que era compensada pelas paragens (por vezes involuntárias, tipo quando o navio naufragava) de tripulações do sul da Europa. Eventualmente alguns deixavam-se ficar, mas creio (não tenho dados concretos) que uma grande parte regressava às suas terras.

Quanto ao património genético que os portugueses por lá deixaram, bom, há uma pequena localidade islandesa (não é que haja grandes localidades na Islândia, mas adiante), onde frequentemente paravam os navios pesqueiros não só portugueses como espanhois e franceses. Essa localidade é conhecida localmente como "Congo", devido à grande quantidade de crianças com caracteristicas mais meridionais e pouco louras que por lá nasciam. Por que será?

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quinta-feira, outubro 30, 2003

Parlamentos nórdicos
[Nordiske parlamenter]

Momento cultural:

Na fotografia, pode se ver o parlamento da Noruega, que se chama Stortinget (a Grande Assembleia).
O parlamento da Dinamarca chama-se Folketing (a Assembleia do Povo); o da Suécia Riksdag (o Conselho do Estado); o da Finlândia, Eduskunta (não esquecendo que a Finlândia é bilingue, esta palavra não é senão uma tradução de Riksdag); o das Ilhas Faroé, Løgtingið (a Assembleia Legislativa), e o da Islândia, Alþíng (a Assembleia Geral) - em memória dos tempos após a colonização inicial da Islândia, quando todos os homens adultos da ilha podiam participar na assembleia legislativa anual.
Mas, tendo em conta que a Islândia foi originalmente colonizada por noruegueses particularmente anarquistas no século IX, consta que as primeiras reuniões apresentavam algumas semelhanças com as assembleias gerais do Benfica do tempo de um tipo que eu não conheço de lado nenhum e que nunca me foi apresentado. De qualquer modo, essa predisposição à anarquia dos primeiros islandeses produziu o primeiro parlamento "democrático" do mundo, e um conjunto de leis que, levando em conta a alta taxa de homicídios, continha disposições especiais para o caso do homicida ter menos de oito anos.
Um milénio mais tarde, apenas 63 pessoas entre os cerca de 300.000 habitantes participam no Alþíng; por outro lado, o número de homicídios decresceu ao ponto de ter havido menos de uma dezena nos últimos cem anos - pelo o país por vezes ainda discute um certo homicídio ocorrido no século XIX.

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quarta-feira, outubro 08, 2003

Este blogue recém-iniciado pretende debruçar-se sobre assuntos nórdicos, com especial realce (cá por umas razões pessoais) sobre a Noruega.

Os termos nórdico e escandinavo podem confundir ligeiramente o português médio, por isso, esclareçamos:

1. Os cinco países nórdicos são a Suécia, a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia e a Islândia.
2. Desses, só três países são escandinavos: a Suécia, a Dinamarca e a Noruega.
3. Mas só dois é que realmente ficam na península escandinava: a Noruega e a Suécia.

Como podem ver, isto é extremamente simples, e não deve provocar confusões.

Após este primeiro momento cultural, contem com actualizações. Irregulares.

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