blog em português, dedicado a assuntos nórdicos
blog om Norden på portugisisk

terça-feira, dezembro 06, 2005

Um nascimento em Oslo
[En fødelse i Oslo]

Nasceu em Oslo um rapazinho do sexo masculino [*], filho de um tipo que eu não conheço e de um tipa que também não. Para mais informações, consultar qualquer revista cor-de-rosa, que devem estar mais bem informadas do que eu.

[*] o pleonasmo é propositado

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quinta-feira, dezembro 16, 2004

Eanes e o gato
Kongen, presidenten og katten

Para se provar como o mundo é pequeno, vim a descobrir que conheço a pessoa a quem o director do Folkemuseet pediu para afastar o gato do rei Olavo e do Ramalho - que é marido de uma das pessoas do meu grupo da Amnistia.

Felizmente que o homem se recusou a afastar o gato, senão o lendário postal não existiria.

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terça-feira, outubro 26, 2004

Olavo vs. Santana

O meu post em que comparei o palhaço incompetente do nosso primeiro-ministro (e não, não me refiro ao Bondevik) com o rei Olavo inspirou-me a produzir esta tabela, para que também se possam apreciar as diferenças.


Rei OlavoPalhaço Incompetente do
Santana Lopes
Desde muito novo que se sabia que ia ser chefe de estadoNunca na vida se pensou que o tipo ia chegar a chefe de governo
Era muito popularColigou-se com o Partido Popular
Opôs-se ferozmente aos fascistasColigou-se com o Partido Popular
Dizia que tinha quatro milhões de guarda-costasBastam-lhe 16
Chegou ao cargo sem eleiçõesTambém
Cumpriu o seu mandato até ao fimNão sabe o que é um mandato
O seu antecessor também cumpriu o mandato até ao fimO seu antecessor fugiu para Bruxelas e deixou-nos este palhaço
Quando era rei, o Eanes visitou a NoruegaFaz-nos ter vontade de imigrarmos todos para a Noruega
Não era criticadoNão quer ser criticado
Practicava desporto, e chegar a competir nos Jogos OlímpicosFoi presidente do Sporting (de onde saiu sem cumprir o mandato)
Por vezes era encontrado a passear na florestaSó é encontrado na floresta se lá estiver uma equipa do Expresso
Andou uma vez de eléctricoPrefere carros de alta cilindrada pagos pelos contribuintes
Era adepto do ArsenalÉ adepto do Sporting
Não era um palhaçoÉ um palhaço

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terça-feira, outubro 19, 2004

Paternidades
Olavs far


O grande tema de falatório por cá tem sido a paternidade do rei Olavo V. O rei Olavo, como eu já disse algures, era tão popular que, se houvesse eleições para rei, receberia cerca de 101% de votos.

Pois, como é dito no último parágrafo do artigo da Wikipedia, e mais extensamente neste artigo da BBC, o rei Olavo não seria filho do rei Haakon, mas sim de um médico britânico, que teria inseminado artificialmente (ou talvez não) a então princesa Maud da Dinamarca.

Isto, como devem calcular, provocou um grande falatório inconsequente. Mas, apesar de tudo, mais vale falar disso do que das últimas palhaçadas do primeiro-ministro. Sim, porque o rei Olavo também pode ter chegado ao cargo sem eleições- mas ao menos, não era um palhaço.

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sexta-feira, março 19, 2004

O bilhete do rei Olavo
[Snek kong Olav?]

Um mistério que persiste em relação ao rei Olavo. Os assíduos leitores deste blogue devem-se recordar de eu ter dito que ele era muito popular porque uma vez andou de electrico - embora corram boatos que ele não pagou o bilhete.

Pois bem, fui informado que o bilhete foi avistado no Museu do Esqui no Holmenkollen. Algumas pesquisas parecem indicar que o guarda-costas do homem terá pago o bilhete (o rei não usava passe mensal, ao contrário da maioria das pessoas). Peço desculpa pela falsa acusação que lancei...

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terça-feira, dezembro 09, 2003

E, para mostrar a popularidade do meu blogue, nada como ninguém ter reparado na minha gaffe, ao ter escrito que o grande campeão do protestantismo Gustavo Vasa tinha morrido numa batalha contra os malvados protestantes. Obviamente, deve ler-se pérfidos católicos.

Ainda falando de reis, devem-se lembrar de eu ter dito que o rei Olavo V era muito popular por uma vez ter andado de electrico. Embora seja verdade, correm boatos que ele não pagou o bilhete.

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quarta-feira, dezembro 03, 2003

Reis e rainhas nórdicos
[Nordiske konger og dronninger]

Aparentemente, o Haakon Magnus, que é filho do rei ou coisa parecida, não vai poder gozar o mês de licença de paternidade habitual quando o seu primeiro rebento nascer em Janeiro, pois estará muito ocupado a ser regente devido à doença do senhor Haraldo.
Não vou entrar em pormenores sobre a família real, pois há inúmeras revistas em Portugal que farão o serviço melhor que eu. Aproveito no entanto a oportunidade para falar de alguns reis notáveis da história das terras gélidas.

Ao contrário dos reis medievais portugueses que tinham cognomes como «Conquistador» ou «Povoador», os reis da Noruega na idade dourada dos viquingues tinham nomes mais apelativos - tais como o Harald Hårfagre (da bela cabeleira, por ter segundo a lenda prometido não a cortar enquanto não fosse o único rei da Noruega, e cuja rua é ao lado da minha), o seu filho Erik Blodøks (machado sangrento, sem explicações necessárias), Harald Blåtann (dente azul) ou Svein Tjugeskjegg (barba bifurcada). Falar de rei da Noruega é no entanto um pouco anacrónico pois o paí­s estava dividido e vários reininhos, o que dava um significado algo violento à cultura de campanário.

Olav II Haraldsson (995-1030), Santo Olavo, patrono da Noruega foi canonizado pela Igreja Católica pelos seus serviços à fé cristã, nomeadamente massacrando de maneira um pouco sanguinária os pagãos. A sua popularidade póstuma parece estar às avessas com a impopularidade em vida, tendo tombado em batalha (eram os tempos em que os chefes de estado e os seus ministros da defesa também morriam nas guerras que organizavam).

Harald III (1015-1066) participou nessa batalha, escapuliu das terras gélidas para salvar a sua pele, lutando ao serviço do Império Bizantino no que é agora a Bulgária (cujas praias do Mar Negro são mais quentinhas), para mais tarde regressar, derrotar os seus oponentes, tentar a conquista de Inglaterra, e ser, como o Manchester United, derrotado em Stamford Bridge, numa batalha que lhe custou a vida.

Através de algum processo sucessório que nem eu compreendo muito bem, o trono da Noruega seguiu para mãos dinamarquesas, Margarida I (1353-1412), rainha da Dinamarca, da Suécia e da Noruega, provou no seu tempo que uma mulher conseguia ser uma intriguista tão boa como qualquer homem, conseguindo manobrar a união os três reinos durante o seu reinado sob a sua autoridade. A incompetência de Cristiano II levou à perda da Suécia, mas a Noruega ficaria unida à Dinamarca durante mais de 500 anos.

Dos reis da Dinarmarca que também o foram da Noruega (e cujo nome alternava entre Frederico e Cristiano), a personagem mais marcante foi talvez Cristiano IV, o tal que achou que Oslo não soava bem e que Cristiânia era melhor para o turismo. O rei era, ao contrário da maioria da sua dinastia, visita assí­duas nas terras ainda mais gélidas.

No próximo programa, vamos falar sobre outros monarcas marcantes destas terras gélidas.

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terça-feira, outubro 28, 2003

Knut Hamsun

Apesar do recente discurso real que citei há dias não conter nada de importante, algumas mentes mais malvadas não resistiram a chamar a atenção para um pormenor: o senhor Haraldo inclui duas citações de Knut Hamsun, o que me permite introduzir um momento cultural.

Hamsun - mais um norueguês mundialmente famoso - enchou de orgulho o país após ganhar o Prémio Nobel da Literatura em 1920 - para vinte anos mais tarde descer ao nível de escritor maldito da nação, após apoiar um certo político alemão de bigode e o seu quisling local, Vidkun Quisling (aliás, Quisling era um quisling ao ponto de o seu nome se tornar sinónimo de "político local sem nenhum apoio popular posto num lugar sem nenhum poder real pelas forças ocupantes" - googlar por Ahmed Chalabi pode explicar o quero dizer). Hamsun chegou inclusive a publicar um obituário elogiando o dito político alemão após o seu suicídio (o do político, não de Hamsun) - o que leva a pensar que os que internaram no manicómio em vez de na prisão a seguir à libertação deviam ter uma certa razão.

Quanto à minha opinião acerca do escritor, li apenas dois livros - um no século passado, em tradução portuguesa - Sult, "A Fome", e no original (tão original que ainda mantinha a ortografia do final do século XIX, apesar de ter sido impresso em 2000), Viktoria (título português, "Viktoria").
Sult, que um jornal americano citou uma vez como sendo a inspiração para o delicioso filme Babettes gæstebud, "A Festa de Babette", conta a história de um escritor esfomeado em Oslo - uma Oslo que na altura eu não conhecia, pelo que talvez seja uma boa ideia rele-lo. Quanto a Viktoria, é a história trágica e ridiculamente romantica de dois apaixonados que apenas descobrem a sua paixão mútua quando um deles morre. Triste.

A vida de Hamsun foi filmatizada, num filme mediocre salvo apenas pelas magníficas interpretações do grande actor sueco Max von Sydow e da excelente, embora pouco famosa fora da Escandinávia, actriz dinamarquesa Ghita Norby.

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